foto; divulgação/internet
Em um cenário historicamente marcado pela disputa, comparação e falta de espaço para mulheres no rap, MC Luanna constrói uma trajetória que vai na contramão do individualismo. Em cinco anos de carreira, a artista soma colaborações com mais de 10 mulheres da cena do rap, reforçando que para ela o sucesso não é um lugar particular, é coletivo.
A importância do coletivo em torno de MC Luanna não é estética, nem puramente estratégica: é real. Em várias entrevistas, shows e nas redes sociais, a rapper faz questão de indicar outras mulheres para serem ouvidas, inclusive em momentos em que poderia brilhar sozinha. Quando fala de mulheres, Luanna amplia a diversidade do termo, com feats que vão de Irmãs de Pau, Monna Brutal e Sodomita, á Budah, Cristal, NandaTsunami, e Barona, sempre com letras que tensionam as fronteiras do rap tradicional.
foto; reprodução internet
Narrativas conjuntas
A movimentação que Luanna faz ao semear a palavra do rap das minas, não acontece por acaso. O rap, edificado historicamente como um espaço de luta, resistência e transgressões, possui bases machistas e muitas vezes misóginas, precisou em toda sua história de mulheres que enfiassem 'o pé na porta' para exigir espaço em um meio que, muitas vezes, tenta 'apagar' suas presenças. O que MC Luanna propõe é mais do que ocupação: é a escrita conjunta das narrativas femininas dentro do gênero. Não se trata de uma mulher abrindo caminho sozinha, mas de várias caminhando juntas.
Para o quadro “Foquinha entrevista”, em outubro do ano passado, Luanna falou sobre uma das fronteiras entre homens e mulheres no rap Nacional: A desvalorização dos Show. “Principalmente em relação ao palco: o show das mulheres é lindo e entregamos muita coisa. Temos público, mas ainda assim são apenas duas mulheres no line-up para 30 homens. O nosso cachê, às vezes, não chega nem a 20% do deles. Isso me incomoda muito; eu quero saber o dia em que alcançaremos a equidade."
Grandiosa Solo
Nascida em Ubaitaba, no interior da Bahia, Luana cantou pela primeira vez no afropunk de 2025, e iniciou sua carreira oficialmente em 2020, e os feats logo se tornaram uma marca forte de sua presença na cena.
A artista afirmou que no inicio da carreira se incomodava com a ideia de ser reconhecida apenas pelas parcerias. “Já teve uma época que pensei: ‘Eu não quero ser só conhecida por feats. Eu também sou grandiosa solo’”, disse a rapper.
Foi então que pós um enorme boom em suas faixas, que em 2022 saiu o ep “Maldita” seguido do disco “44”. Em outubro do ano passado, apresentou “Sexto Sentido”, álbum com 16 faixas que reafirma sua identidade artística e lírica.
Colaborações como “99 Problemas”, “Combate”, “Set da Ajc 2 ”, com Tasha e Tracie, Duquesa e Julia costa, além de “Versão Brasileira” com Coruja BC1 e o recente “Noites Traiçoeiras” com o rapper Leall, mostram como não falta, e até sobra qualidade em suas rimas.
Indicada ao BET Awards 2025 (premiação dedicada à valorização de artistas negros na música, cinema, esporte e entretenimento)e acumulando apresentações em grandes festivais como Afropunk, The Town, Boiler Room e Lollapalooza Brasil, MC Luanna consolida-se como uma das artistas mais importantes do país na contemporaneidade. Seu sucesso é fruto da profunda identificação com o público e de um discurso constante: o de que a carreira e a vida vão muito além dos números. Sua trajetória é, acima de tudo, pautada na construção de vínculos, alianças e narrativas compartilhadas.
Vandalize nas redes:
Instagram: @Vandalizeoficial
TikTok: @vandalizeoficial
X(antigo Twitter): @vandalizeofc
WhatsApp: 71 9 84359763



Vandalize nas Redes