Visão

6/recent/ticker-posts

A MIOPIA MASCULINA E A IMENSIDÃO DE MC LUANNA

foto por; Lucas Rodriguez

Seja se fortalecendo em feats, divulgações, selos, produtoras e redes de apoio, o rap nacional foi - talvez mundial - um território majoritariamente ocupado por homens. Isso não mudou completamente, mas algo está em movimento. Hoje, vivemos a ascensão de mulheres que quebram esse padrão, um padrão que não nasce só na música, mas na sociedade que estrutura quem pode falar, sobre o quê e de que forma.

O estigma da "pauta única"

Existe uma expectativa clara e limitada sobre o que uma mulher no rap “deve” dizer. Muitos homens, tanto os que fazem quanto os que consomem rap, esperam que mulheres falem apenas “mal deles”.

Basta observar o tribunal das redes sociais: a mesma audiência que aplaude a redundância lírica dos homens, celebrando a repetição de temas como ostentação e poder como 'fidelidade à cultura', é a que exige uma versatilidade exaustiva das mulheres. É um cerceamento disfarçado de crítica musical, uma barreira que tenta ditar o limite da caneta feminina. Afinal, se a monotonia temática masculina é aceita como um pilar do gênero, por que é que o espelhamento dessa mesma liberdade na voz de uma mulher é visto como um defeito? Onde está o problema de falar do mesmo tema, se o que está em jogo não é a falta de assunto, mas o desconforto de quem ouve uma verdade que não quer digerir?

foto divulgação/pinterest

Mas a realidade é outra. Na ascensão que vivemos hoje, mulheres estão falando de tudo. E, ainda assim, isso incomoda. Incomoda quando elas falam de desejo, de sexo, de prazer, de autonomia. Incomoda porque foge do controle, foge da narrativa que tentaram impor. Mas não é sobre isso que quero me alongar. Machismo e misoginia atravessam todas as culturas e isso a gente já sabe.

O ponto aqui é a fórmula de MC Luanna.

Luanna é uma rapper que atravessa temas sem pedir licença. Ela fala de sexo, sim. Fala de empoderamento feminino, de autoestima, de processos emocionais, do cotidiano, das periferias. E tudo isso sem compartimentar sua arte. Seus versos não têm fronteira de região, idade, gênero ou sexualidade. Eles circulam, encontram, acolhem.

Nas letras de Luanna, a afirmação gera conexão instantânea. É como se ela estivesse falando da gente, com a gente. Uma conversa direta, íntima, quase uma sessão de terapia coletiva, daquelas em que você escuta algo e pensa: “isso é sobre mim”. Tudo o que ela canta a gente já viveu, ou passa a querer viver depois de ouvir.

Além do nicho, além do rótulo

MC Luanna constrói autoestima sem selecionar destinatários. Ela não se deixa reduzir a uma "pauta", nem se prende a um nicho seguro. Ela domina os assuntos que canta porque eles transbordam da vida real e o real é, por natureza, atravessador. Ao jogar com as emoções e criar essa proximidade quase tátil, Luanna vai além do que o mercado tentou limitar para ela. E talvez seja esse o segredo do seu incômodo e do seu sucesso: MC Luanna não cabe na expectativa de ninguém. Ela não aceita o espaço que lhe reservaram; ela prefere expandir o mundo ao seu redor.


Vandalize nas redes:

Instagram: @Vandalizeoficial
TikTok: 
@vandalizeoficial
X(antigo Twitter): @vandalizeofc
WhatsApp: 71 9 84359763

Matéria por Lucas Rodrigues.