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Não pergunte ao algoritmo, pergunte à rua: Dina Di faz 50

foto; reprodução internet

Em 19 de fevereiro de 1976 em algum rincão do interior de São Paulo, mais precisamente da cidade de Campinas, nascia Viviane Matias. Talvez, você que me lê não conheça Viviane ou não saiba que seu nome de registro é esse mas com certeza você ou alguém que você conhece já ouviu, curtiu, cantou ou já ouviu falar de Dina Di. 

Ela já trazia a alcunha de Dina Di desde os seus 13 anos, por volta de 1989, já envolvida com a Cultura Hip Hop de Campinas. Na ativa e em franca evolução, 10 anos depois do batismo de seu vulgo ou nome artístico, ela com o grupo Visão de Rua - do qual ela foi uma das fundadoras ao lado de Tum e Dj Guto - já tinham dois discos gravados,  Periferia é o Alvo(1997) e Herança do Vício (1998) e a música "Confidências de uma presidiária" já era sucesso nos fones, falantes dos carros e nas rádios com seus programas de Rap. Gangsta Rap no sentido literal do termo, cantava, vivia, vestia tal atitude. Visão de Rua, na rua e pra rua. 

Dina Di foi uma rapper que tinha talentos musicais para além de ruas letras e rimas ferozes, quase sempre contando sobre temas ocorridos nas sua quebrada e nas quebradas do Brasil, sobre violência policial e sobre como ser mulher e fazer rap no meio disso tudo. Gostava de música, tocava violão, tinha a antena conectada com o que o Brasil e mundo produzia para além do Rap.

foto; reprodução internet

Infelizmente ainda vivemos uma sociedade orquestrada sob as batutas do machismo, racismo e de preconceitos com determinados gêneros ou subgêneros musicais, mas Dina Di passou por cima de muitos desses e outros "ismos". É muito comum a maior parcela dos homens, "suspeitar" de uma artista: 

"Você compôs essa música sozinha?" , "Nossa, que legal!!! Você sabe tocar!!!"

Dina Di atropelou tudo isso. Inclusive quando pensamos no jeito de se vestir das minas do rap na época, a maioria usando roupas, bonés e camisetas do mesmo corte e tamanhos dos manos, não tinha espaço pra nenhum "estudioso" do rap dizer que: "Dina Di é o Fulano de Tal de saias". E pensar que as calças largas hoje são peças fashion, style, sucesso nas campanhas de marcas norte-americanas, mas já foram style só pros manos e serviam pras minas como salvo conduto, eram o sincretismo que trazia paz naquela época pra elas poderem transitar.

foto; reprodução internet

Em 2010, exatamente um mês depois de completar 34 anos, Dina Di partiu para um plano mais elevado, vítima de uma infecção hospitalar, em decorrência de um processo de parto. Embora sua saída de cena tenha sido precoce, ainda realizou trabalhos como: Ruas de Sangue (2001), A Noiva do Thock (2003), O Poder nas Mãos (2007) e uma série de feats e memoráveis apresentações.

Se você quiser saber mais sobre a música e a obra da Dina Di, indico as plataformas digitais. Mas se você quiser saber sobre a vida dela, para além do conteúdo dessa coluna, procure alguém de verdade, de carne e osso, para uma boa conversa. Evitem o erro das pesquisas digitais: uma página de busca disse que ela era uma cantora e compositora de funk carioca, que nasceu em 1993, autora do sucesso "Só as Cachorras" de 2012 e que ela morreu em 2019, vítima de uma cirurgia. Outra página, que curiosamente até a homenageou com um avatar no dia de sua morte, em 2021, diz que ela era uma cantora popular dos anos 70, que faleceu aos 76 anos. A rua com certeza é a melhor fonte pra se estudar essa referência. Como já diz o Thaíde: "Não perca tempo, pergunte a quem conhece."

Se você estiver lendo essa coluna no dia de seu lançamento, ontem foi quarta feira de cinzas e hoje é quinta, 19 de fevereiro de 2026. Hoje, Dina Di completaria 50 anos. 


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Matéria por Marcelo Silva, Max B.O